Sexta-feira, Novembro 25, 2011

Refresco no metrô

Ontem a novíssima e fresquíssima linha amarela falhou. No famigerado horário de pico, a paralização dos metropolitanos deixou a paulistanada revoltada.
Especialmente na estação Pinheiros, onde eu estava e onde também ocorre a integração com o trem, o número de pessoas aumentava e acumulava a cada um dos 12 mil andares que descia. Todas as escadas rolantes foram desligadas em uma tentativa frustrada de conter o povo de seu direito ao transporte. Quem sabe aquela senhora gorda não desiste de descer e espera a situação se normalizar?
A cada andar eu via mais gente e o ar ficava mais quente. E no calabouço do inferno, eu descia para o abate!

Insisti, pulei alguns dos que, já desiludidos, sentavam atrapalhando o caminho, e cheguei na plataforma.



Fui angariando posições, me infiltrando entre os comuns e galgando uma posição de liderança naquele motim silencioso. Na verdade eu só queria chegar até a porta.
Mas entre os nada revoltosos, um se levanta em voz e diz : “Pessoal, vamos pensar na hora de votar!”. Me empolguei, pensei “Agora vai, vamos fazer história.”… mas meu pensamento foi seguido de risos, milhares. Ainda não sei se conseguiram mesmo ouví-lo ou se foi pro rapaz, pelo jeito o único indignado do local.

Depois de pescar algumas frases épicas como “O brasileiro se diverte com tudo.” ou “Cuidado com a criança!” e “Aqui tem mulher, mais respeito pessoal!”, consegui entrar no vagão.
Outro parto pra descer na estação Consolação, mas enfim, depois de um bom tempo, cheguei ao meu destino. A rotina continua. Não.
Hoje a notícia estava na radio CBN, na timeline do Facebook e em todas as “novas mídias”, quase tão novas quanto a linha amarela. Afinal, o acontecido foi na Zona Sul.

Aí entra o espírito de primo pobre da Zona Leste. Desculpem, mas eu não ouço notícias diárias sobre a linha vermelha do metrô de São Paulo. Hoje mesmo resolvi trabalhar de carro e passei em frente ao metro Carrão…. A fila da catraca já dava voltas na passarela que passa sobre a Radial Leste.
Na linha vermelha, a situação amarelada de ontem é realidade. Espera-se 8 metrôs pra conseguir entrar e ficar feito sardinha enlatada. E o povo, já calejado, macaco velho, não se indigna. É assim que a vida é…
De quem é a culpa? Do Kassab que está hoje em Paris? Do “tio” Geraldo? De todos os outros governos anteriores? Ninguém sabe.
O povo fica feliz com as raspas, com uma esteira rolante, coisa de primeiro mundo, que leva de uma estação à outra. E eles anunciam “A linha verde já chega na Zona Leste!”. Péra lá meu amigo, você já foi na Zona Leste? Ali é uma ponta, perto do centro. Quero ver integrar a verde ou a amarela da Penha “pra lá”.
Os olhos de um Brasil que se pensa sudeste, em São Paulo também estão voltados para a Zona Sul.
E nós, os poucos que ainda ousam se indignar, continuamos tentando acordar aquele garotão que finge dormir no assento cinza.

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