Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012

Os segredos da pesca esportiva

Primeiro, deve ser encarada como esporte, se não tiver alguém com quem competir, que seja com você mesmo.
O melhor lugar é aquele que alguém já pescou e te alertou: “ali tem peixe”.
Não adianta muito variar na isca. Isca boa é sempre isca boa, de preferência viva, acenando para o Mercado dos peixes. Selecione suas minhocas!
No rio, fique parado no local escolhido, sem fazer muito alarde para não gerar um turbilhão na água (a isca deve se vender por si, não adianta balançar a vara). No mar, espere a maré subir. A pesca requer paciência. Independente do lugar, quem sabe esperar até o fim do dia tem mais chances de voltar satisfeito ou com novas histórias.
Sempre devolva o peixe. O segredo está em retribuir aquilo que lhe foi pedido. Recebeu a dádiva? Entregue de volta. Não recebeu? Pelo menos você fez o seu melhor.
E às vezes o mar não está pra peixe, vira sertão. Um mar de lágrimas nunca é a solução… se o mar virou sertão, o sertão também vai virar mar, e você vai ter a melhor pescaria quando menos esperar.
Em breve você vai lamber o beiço e sentir o sal que está no ar.
Mais um dia de pescaria.
Só não se esqueça: não caia em histórias de pescador.

Quarta-feira, Dezembro 07, 2011

Somos um "time"

É claro, uns atacam, outros defendem. As vezes esquecem que jogam pro mesmo lado. E no time também tem o craque, que ganha mais, e o que se acha craque porque ganha mais. Tem a meninada do banco, ou a bancada de assistentes. Um verdadeiro plantel que nunca está completo. E a pressão da torcida, ou público dos jogos, faz os dirigentes realizarem sempre novas contratações. Opa, péra lá, como um time vai se entrosar se nunca joga junto e está sempre em mudanças? Jogadores caros vem bem valorizados de times de fora, causando desconfiança nos titulares. Cabeças vão rolar? Vão trocar o técnico? Bom, o jeito é jogar bola... talvez com uma especulação de um time estrangeiro meu passe valorize.
Tem também os que estão de empréstimo, e nada sabem sobre a renovação de seu contrato.
Beber e fumar? Atrapalham o treino. Jogador tem que manter a boa forma... mas como, se o técnico não escala? Levanta a mão e pede a camisa, meu amigo. Ninguém falou que seria fácil.
Esta é a minha vida, este é o meu clube. Só pra ficar no futebol...

A morta

- AMOR, TÁ!

Sexta-feira, Novembro 25, 2011

Refresco no metrô

Ontem a novíssima e fresquíssima linha amarela falhou. No famigerado horário de pico, a paralização dos metropolitanos deixou a paulistanada revoltada.
Especialmente na estação Pinheiros, onde eu estava e onde também ocorre a integração com o trem, o número de pessoas aumentava e acumulava a cada um dos 12 mil andares que descia. Todas as escadas rolantes foram desligadas em uma tentativa frustrada de conter o povo de seu direito ao transporte. Quem sabe aquela senhora gorda não desiste de descer e espera a situação se normalizar?
A cada andar eu via mais gente e o ar ficava mais quente. E no calabouço do inferno, eu descia para o abate!

Insisti, pulei alguns dos que, já desiludidos, sentavam atrapalhando o caminho, e cheguei na plataforma.



Fui angariando posições, me infiltrando entre os comuns e galgando uma posição de liderança naquele motim silencioso. Na verdade eu só queria chegar até a porta.
Mas entre os nada revoltosos, um se levanta em voz e diz : “Pessoal, vamos pensar na hora de votar!”. Me empolguei, pensei “Agora vai, vamos fazer história.”… mas meu pensamento foi seguido de risos, milhares. Ainda não sei se conseguiram mesmo ouví-lo ou se foi pro rapaz, pelo jeito o único indignado do local.

Depois de pescar algumas frases épicas como “O brasileiro se diverte com tudo.” ou “Cuidado com a criança!” e “Aqui tem mulher, mais respeito pessoal!”, consegui entrar no vagão.
Outro parto pra descer na estação Consolação, mas enfim, depois de um bom tempo, cheguei ao meu destino. A rotina continua. Não.
Hoje a notícia estava na radio CBN, na timeline do Facebook e em todas as “novas mídias”, quase tão novas quanto a linha amarela. Afinal, o acontecido foi na Zona Sul.

Aí entra o espírito de primo pobre da Zona Leste. Desculpem, mas eu não ouço notícias diárias sobre a linha vermelha do metrô de São Paulo. Hoje mesmo resolvi trabalhar de carro e passei em frente ao metro Carrão…. A fila da catraca já dava voltas na passarela que passa sobre a Radial Leste.
Na linha vermelha, a situação amarelada de ontem é realidade. Espera-se 8 metrôs pra conseguir entrar e ficar feito sardinha enlatada. E o povo, já calejado, macaco velho, não se indigna. É assim que a vida é…
De quem é a culpa? Do Kassab que está hoje em Paris? Do “tio” Geraldo? De todos os outros governos anteriores? Ninguém sabe.
O povo fica feliz com as raspas, com uma esteira rolante, coisa de primeiro mundo, que leva de uma estação à outra. E eles anunciam “A linha verde já chega na Zona Leste!”. Péra lá meu amigo, você já foi na Zona Leste? Ali é uma ponta, perto do centro. Quero ver integrar a verde ou a amarela da Penha “pra lá”.
Os olhos de um Brasil que se pensa sudeste, em São Paulo também estão voltados para a Zona Sul.
E nós, os poucos que ainda ousam se indignar, continuamos tentando acordar aquele garotão que finge dormir no assento cinza.

Terça-feira, Novembro 01, 2011

Luz e luto

Entendemos que o seu coração está amargurado e que alguns venenos não podem ser curados, mas existe um tratamento.
Nada de tango argentino, está mais para bossa nova, com suas pausas e retomadas de fôlego. Tudo é para sempre, do fim ao começo.
Talvez seja mesmo preciso "ficar na sua", mas isso é para acalmar o veneno, e não para espalhá-lo.
Deixe submergir, e deixe vir à tona quando preciso. Luz e luto, ambos necessários.
Você precisa de um ombro para encher de porrada, já que não consegue chorar.
Também odeio sufocar gritos, quase tanto quanto valorizo o silêncio.
Ninguém morreu. Um minuto ou uma vida, qual você prefere?
Reflexões no próprio lago podem ser fatais. Se você acredita que as sereias estejam mortas, cuidado com a própria imagem. Você é o que está se transformando. Você é intenção, então trate de se descobrir.

Baú das memórias sem fundo e sem fundamento

E de repente o moleskine se tornou um mini diário, com carimbos, adesivos, recados e regalos. O caderno, antes feito para não se esquecer das ideias que não marcam hora, agora era uma lugar para se livrar delas. A limpeza dos armários sempre trazia uma nova anotação com cada pertence jogado fora. Como um bibliotecário do passado, precisava registrar tudo antes de se livrar. Abençoado seja o lixo da escrita e seu chorume de lágrimas contidas nos olhos de quem o lê.
Sacos e mais sacos, páginas e mais páginas... mas não pense que este não é um lixo seletivo. A gente só se livra daquilo que consideramos importante, por mais que não o seja para o desenvolvimento espiritual.
Uma lição aprendida com Castañeda: Escreva!

Segunda-feira, Outubro 17, 2011

O beijo

Quando está tudo exposto, acabamos endurecendo. Once in the war, lets fight! Cara feia é que nem patuá: espanta, mas dá sorte, atrai ou finge auto-confiança. Se gritar, no estilo italiano da ponta da mesa, melhor ainda. (não um "xô preguiça", mas um "kill them all").
E como tudo que é duro amolece com a idade, os dias passam, o luto passa, pra baixo, e a ferida cria casquinha.
O beijo de "sara logo" é quântico e cura todas as feridas.
Meditação então, nem me viu. Cruze as pernas, os dedos e mentalize: regeneração.

Terça-feira, Fevereiro 15, 2011

É preciso muita calma

É preciso muita calma, é preciso muito amor.
É preciso muita cama, sem hora marcada, ao acaso, sem caô.
Chega da ansiedade dos relógios. Eu quero toda volúpia de quem não espera, de quem se surpreende e entra no jogo, mas consegue sair dele no café da manhã.
Jogos novos com os mesmos jogadores. Não quero sentar na mesa e ficar nela até sair com tudo ou nada.
Quero deixar pra amanhã, mesmo que ela nunca chegue. E vou chegando, devagarinho, sem me entregar, a não ser entre chão e teto, de espelho e não de vidro, onde a gente entrega o RG na entrada e se identifica dentro do quarto.
Identidades falsas, e não caras metades. Não quero pseudo paixões de colegial, mas sacanagem pura. Me sacaneia.

Terça-feira, Novembro 09, 2010

Não me leia

Minhas páginas estão em branco.
Não me preencha a lápis, muitos tem borracha.
Não me marque com tinta, meu papel é grosso e não mancha a página seguinte.
Não me interprete.
Não sou fruto da sua mente doentia.