Conquistas, reconquistas.
Tenho sempre que mostrar merecimento, promessa de futuro. Uma cobrança muda, que uma hora sempre cobra um preço que não dá mais pra pagar.
Mesmo me endividando comigo mesmo, financiando meus valores em pequenas parcelas, você não aceita a forma de pagamento.
Produto sem garantia. Não existe estabilidade, um “dessa vez vai” ou “estou decidida”. E mesmo quando pareceu decidir, você voltou lá e pediu reembolso, como se não tivesse reparado nos pequenos defeitos.
Parece que precisa passar de loja em loja pra analisar bem a compra, mesmo correndo o risco de alguém passar lá e levar a peça.
Mundo de vendas é assim, ninguém confia, ninguém tem mais certeza de nada.
Terça-feira, Dezembro 01, 2009
Terça-feira, Novembro 10, 2009
Estala coração de vidro pintado
por Fernanda Young
Enquanto ela se arruma, o mundo para. O mundo dela, onde soe xiste o homem que aguarda. Nessa casa vazia, vazio perfeito para encontros clandestinos. Ela tenta fazer, daquele quase nada, algo acolhedor. Quer oferecer, alimentar, prover o aconchego que crê que ele mereça. Porque ele é o seu homem. Só seu, durante o tempo em que estiver naquela casa. Lar sem lembrança nem porta-retratos. Ilusão que ela finge não notar, e durará apenas o tempo livre daquele que espera. Já que ele não é dela e ela não é dele – embora se prepare como se fosse. Quer que o vazio esteja lindo, sem saber que lindo seria vê-la assim, acreditando num amor pra sempre, que termina antes do anoitecer. Não é ingênua ou cínica, é uma mulher; e gosta desse jogo, mesmo sabendo que, nele, nunca há vencedoras. Perdedora ou perdida, sente-se excitada. Quase aborrecida por ele estar atrasado. Lembra, porém, de mais alguns detalhes que faltam no paraíso que quer ofertar. Circula pela casa, toma um vinho, escreve um poema. Vai tentar convencê-lo de quanto ela é perfeita. Ela escreve versos. Ela é livre, mas sabe cozinhar. Escuta um barulho, e seu corpo treme inteiro – ainda não é ele. Tenta ficar calma, mas seu coração, agora, não bate, estala, como um delicado cristal que, num brinde, trinca. Serve-se mais uma taça de vinho. Sente uma certa vontade de chorar. Tenta se distrair. Pode brincar um pouco enquanto ele não chega? Decide que sim, imaginando tudo que gostaria de fazer com ele. Algumas coisas que nunca fez, inclusive. Mas ele demora demais, e ela prefere não mexer onde não deve. O primeiro prazer daquela tarde deverá ser com ele, por ele. Mesmo reconhecendo que, no quarto escuro da sua mente, faça o que quiser, com quem quiser. Ele não precisa saber disso. Nenhum homem precisa saber que é na imaginação que a mulher esconde o tal ponto G. Ri. Vê a hora, começa a ficar realmente irritada. Mais uma taça de vinho e o seu coração de vidro estalará mais forte, talvez forte demais. Tornando-se mais intensa em sua poesia e menos preocupada com a refeição que esfria. Que casa é essa, afinal? Decide macular o branco daquele local asséptico. O mundo, afinal, não é apenas o local que seu homem habita – homem que nem é tão seu. E tudo fica melhor quando está tudo bagunçado. Então desarruma tudo.
Enquanto ela se arruma, o mundo para. O mundo dela, onde soe xiste o homem que aguarda. Nessa casa vazia, vazio perfeito para encontros clandestinos. Ela tenta fazer, daquele quase nada, algo acolhedor. Quer oferecer, alimentar, prover o aconchego que crê que ele mereça. Porque ele é o seu homem. Só seu, durante o tempo em que estiver naquela casa. Lar sem lembrança nem porta-retratos. Ilusão que ela finge não notar, e durará apenas o tempo livre daquele que espera. Já que ele não é dela e ela não é dele – embora se prepare como se fosse. Quer que o vazio esteja lindo, sem saber que lindo seria vê-la assim, acreditando num amor pra sempre, que termina antes do anoitecer. Não é ingênua ou cínica, é uma mulher; e gosta desse jogo, mesmo sabendo que, nele, nunca há vencedoras. Perdedora ou perdida, sente-se excitada. Quase aborrecida por ele estar atrasado. Lembra, porém, de mais alguns detalhes que faltam no paraíso que quer ofertar. Circula pela casa, toma um vinho, escreve um poema. Vai tentar convencê-lo de quanto ela é perfeita. Ela escreve versos. Ela é livre, mas sabe cozinhar. Escuta um barulho, e seu corpo treme inteiro – ainda não é ele. Tenta ficar calma, mas seu coração, agora, não bate, estala, como um delicado cristal que, num brinde, trinca. Serve-se mais uma taça de vinho. Sente uma certa vontade de chorar. Tenta se distrair. Pode brincar um pouco enquanto ele não chega? Decide que sim, imaginando tudo que gostaria de fazer com ele. Algumas coisas que nunca fez, inclusive. Mas ele demora demais, e ela prefere não mexer onde não deve. O primeiro prazer daquela tarde deverá ser com ele, por ele. Mesmo reconhecendo que, no quarto escuro da sua mente, faça o que quiser, com quem quiser. Ele não precisa saber disso. Nenhum homem precisa saber que é na imaginação que a mulher esconde o tal ponto G. Ri. Vê a hora, começa a ficar realmente irritada. Mais uma taça de vinho e o seu coração de vidro estalará mais forte, talvez forte demais. Tornando-se mais intensa em sua poesia e menos preocupada com a refeição que esfria. Que casa é essa, afinal? Decide macular o branco daquele local asséptico. O mundo, afinal, não é apenas o local que seu homem habita – homem que nem é tão seu. E tudo fica melhor quando está tudo bagunçado. Então desarruma tudo.
Segunda-feira, Novembro 09, 2009
Ímã
O índio, que não sabe se relacionar, insinua insegurança.
A índia, instintiva, interpreta falta de confiança.
Não adianta insistir, ela ficou insatisfeita.
O homem branco é mais maduro, mas o ímã ainda está na lua, de Tupã.
Pari, Ceci, Sinhá, feitor...
Os papéis sempre serão os mesmos.
Cada um com seu amor.
A índia, instintiva, interpreta falta de confiança.
Não adianta insistir, ela ficou insatisfeita.
O homem branco é mais maduro, mas o ímã ainda está na lua, de Tupã.
Pari, Ceci, Sinhá, feitor...
Os papéis sempre serão os mesmos.
Cada um com seu amor.
Quinta-feira, Novembro 05, 2009
Permanência
Renata da flor no braço. Flor que abre e fecha com os abraços. Abraços de horas. Ora na lapela, ora na cabeça. Cabeça florida, desabrochando, amadurecendo. Pensativa, decidida, observadora do olho nas costas. Olha pro passado presente e tenta transformar em algo novo.
Renata da família no corpo, que a mão tenta agarrar e fazer parte dela. A mão que toca com amor, pro amor.
Renata de lua, e que lua. Cíclica como muitas outras, mas brilhante e única.
Renata que espera o sol chegar, e que o traz consigo a cada passo, transformando caminhadas em trilhas sonoras.
Minha flor, meu olhar, minha família, minha lua, meu sol, meu amor.
Renata da família no corpo, que a mão tenta agarrar e fazer parte dela. A mão que toca com amor, pro amor.
Renata de lua, e que lua. Cíclica como muitas outras, mas brilhante e única.
Renata que espera o sol chegar, e que o traz consigo a cada passo, transformando caminhadas em trilhas sonoras.
Minha flor, meu olhar, minha família, minha lua, meu sol, meu amor.
Quarta-feira, Novembro 04, 2009
Sobre pássaros
Passarinho criado em cativeiro, quando sai da gaiola bate contra o primeiro espelho que encontra, ou então cai nas garras do primeiro gavião.
Mas quando o passarinho gosta do dono, mesmo que você abra a mão ele fica ali voando por perto.
Não confunda os que voam por perto com os que voltam só pra buscar comida.
mais sobre pássaros e passarinhas
Mas quando o passarinho gosta do dono, mesmo que você abra a mão ele fica ali voando por perto.
Não confunda os que voam por perto com os que voltam só pra buscar comida.
mais sobre pássaros e passarinhas
Terça-feira, Outubro 27, 2009
Relógio de pulso
Não deixarei de te amar por um minuto.
Não contarei os minutos, não contarei a ninguém.
Você é o meu relógio, a hora certa, o horário de verão que deixa as noites mais claras, em claro. O ponteiro que aponta a direção, que corre pro amanhã junto a mim.
Relógio TIC TAC
De pulso TU TUM.
Nem por um minuto.
Não contarei os minutos, não contarei a ninguém.
Você é o meu relógio, a hora certa, o horário de verão que deixa as noites mais claras, em claro. O ponteiro que aponta a direção, que corre pro amanhã junto a mim.
Relógio TIC TAC
De pulso TU TUM.
Nem por um minuto.
Chão e Teto
O sentimento não precisa de sentido, não precisa da visão, olfato, paladar, tato. Mas precisa da presença.
Alguns têm medo de altura, eu tenho medo de distância.
Alguns têm medo de altura, eu tenho medo de distância.
Sexta-feira, Outubro 23, 2009
Caixa
Lembrar de você me fez lembrar
Quando tinha que botar mais uma ficha pra ligação não cair
Seu número de telefone na minha agenda eletrônica
O bip bip do meu bip
O bip bop do meu rádio
O Push Pop
O Canguru perneta e os animais no bosque dos vinténs
Tantas coisas que não fazem falta, mas que dá uma dorzinha saber que não tenho mais.
Quando tinha que botar mais uma ficha pra ligação não cair
Seu número de telefone na minha agenda eletrônica
O bip bip do meu bip
O bip bop do meu rádio
O Push Pop
O Canguru perneta e os animais no bosque dos vinténs
Tantas coisas que não fazem falta, mas que dá uma dorzinha saber que não tenho mais.
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