Quarta-feira, Dezembro 07, 2011

Somos um "time"

É claro, uns atacam, outros defendem. As vezes esquecem que jogam pro mesmo lado. E no time também tem o craque, que ganha mais, e o que se acha craque porque ganha mais. Tem a meninada do banco, ou a bancada de assistentes. Um verdadeiro plantel que nunca está completo. E a pressão da torcida, ou público dos jogos, faz os dirigentes realizarem sempre novas contratações. Opa, péra lá, como um time vai se entrosar se nunca joga junto e está sempre em mudanças? Jogadores caros vem bem valorizados de times de fora, causando desconfiança nos titulares. Cabeças vão rolar? Vão trocar o técnico? Bom, o jeito é jogar bola... talvez com uma especulação de um time estrangeiro meu passe valorize.
Tem também os que estão de empréstimo, e nada sabem sobre a renovação de seu contrato.
Beber e fumar? Atrapalham o treino. Jogador tem que manter a boa forma... mas como, se o técnico não escala? Levanta a mão e pede a camisa, meu amigo. Ninguém falou que seria fácil.
Esta é a minha vida, este é o meu clube. Só pra ficar no futebol...

A morta

- AMOR, TÁ!

Sexta-feira, Novembro 25, 2011

Refresco no metrô

Ontem a novíssima e fresquíssima linha amarela falhou. No famigerado horário de pico, a paralização dos metropolitanos deixou a paulistanada revoltada.
Especialmente na estação Pinheiros, onde eu estava e onde também ocorre a integração com o trem, o número de pessoas aumentava e acumulava a cada um dos 12 mil andares que descia. Todas as escadas rolantes foram desligadas em uma tentativa frustrada de conter o povo de seu direito ao transporte. Quem sabe aquela senhora gorda não desiste de descer e espera a situação se normalizar?
A cada andar eu via mais gente e o ar ficava mais quente. E no calabouço do inferno, eu descia para o abate!

Insisti, pulei alguns dos que, já desiludidos, sentavam atrapalhando o caminho, e cheguei na plataforma.



Fui angariando posições, me infiltrando entre os comuns e galgando uma posição de liderança naquele motim silencioso. Na verdade eu só queria chegar até a porta.
Mas entre os nada revoltosos, um se levanta em voz e diz : “Pessoal, vamos pensar na hora de votar!”. Me empolguei, pensei “Agora vai, vamos fazer história.”… mas meu pensamento foi seguido de risos, milhares. Ainda não sei se conseguiram mesmo ouví-lo ou se foi pro rapaz, pelo jeito o único indignado do local.

Depois de pescar algumas frases épicas como “O brasileiro se diverte com tudo.” ou “Cuidado com a criança!” e “Aqui tem mulher, mais respeito pessoal!”, consegui entrar no vagão.
Outro parto pra descer na estação Consolação, mas enfim, depois de um bom tempo, cheguei ao meu destino. A rotina continua. Não.
Hoje a notícia estava na radio CBN, na timeline do Facebook e em todas as “novas mídias”, quase tão novas quanto a linha amarela. Afinal, o acontecido foi na Zona Sul.

Aí entra o espírito de primo pobre da Zona Leste. Desculpem, mas eu não ouço notícias diárias sobre a linha vermelha do metrô de São Paulo. Hoje mesmo resolvi trabalhar de carro e passei em frente ao metro Carrão…. A fila da catraca já dava voltas na passarela que passa sobre a Radial Leste.
Na linha vermelha, a situação amarelada de ontem é realidade. Espera-se 8 metrôs pra conseguir entrar e ficar feito sardinha enlatada. E o povo, já calejado, macaco velho, não se indigna. É assim que a vida é…
De quem é a culpa? Do Kassab que está hoje em Paris? Do “tio” Geraldo? De todos os outros governos anteriores? Ninguém sabe.
O povo fica feliz com as raspas, com uma esteira rolante, coisa de primeiro mundo, que leva de uma estação à outra. E eles anunciam “A linha verde já chega na Zona Leste!”. Péra lá meu amigo, você já foi na Zona Leste? Ali é uma ponta, perto do centro. Quero ver integrar a verde ou a amarela da Penha “pra lá”.
Os olhos de um Brasil que se pensa sudeste, em São Paulo também estão voltados para a Zona Sul.
E nós, os poucos que ainda ousam se indignar, continuamos tentando acordar aquele garotão que finge dormir no assento cinza.

Terça-feira, Novembro 01, 2011

Luz e luto

Entendemos que o seu coração está amargurado e que alguns venenos não podem ser curados, mas existe um tratamento.
Nada de tango argentino, está mais para bossa nova, com suas pausas e retomadas de fôlego. Tudo é para sempre, do fim ao começo.
Talvez seja mesmo preciso "ficar na sua", mas isso é para acalmar o veneno, e não para espalhá-lo.
Deixe submergir, e deixe vir à tona quando preciso. Luz e luto, ambos necessários.
Você precisa de um ombro para encher de porrada, já que não consegue chorar.
Também odeio sufocar gritos, quase tanto quanto valorizo o silêncio.
Ninguém morreu. Um minuto ou uma vida, qual você prefere?
Reflexões no próprio lago podem ser fatais. Se você acredita que as sereias estejam mortas, cuidado com a própria imagem. Você é o que está se transformando. Você é intenção, então trate de se descobrir.

Baú das memórias sem fundo e sem fundamento

E de repente o moleskine se tornou um mini diário, com carimbos, adesivos, recados e regalos. O caderno, antes feito para não se esquecer das ideias que não marcam hora, agora era uma lugar para se livrar delas. A limpeza dos armários sempre trazia uma nova anotação com cada pertence jogado fora. Como um bibliotecário do passado, precisava registrar tudo antes de se livrar. Abençoado seja o lixo da escrita e seu chorume de lágrimas contidas nos olhos de quem o lê.
Sacos e mais sacos, páginas e mais páginas... mas não pense que este não é um lixo seletivo. A gente só se livra daquilo que consideramos importante, por mais que não o seja para o desenvolvimento espiritual.
Uma lição aprendida com Castañeda: Escreva!

Segunda-feira, Outubro 17, 2011

O beijo

Quando está tudo exposto, acabamos endurecendo. Once in the war, lets fight! Cara feia é que nem patuá: espanta, mas dá sorte, atrai ou finge auto-confiança. Se gritar, no estilo italiano da ponta da mesa, melhor ainda. (não um "xô preguiça", mas um "kill them all").
E como tudo que é duro amolece com a idade, os dias passam, o luto passa, pra baixo, e a ferida cria casquinha.
O beijo de "sara logo" é quântico e cura todas as feridas.
Meditação então, nem me viu. Cruze as pernas, os dedos e mentalize: regeneração.

Terça-feira, Fevereiro 15, 2011

É preciso muita calma

É preciso muita calma, é preciso muito amor.
É preciso muita cama, sem hora marcada, ao acaso, sem caô.
Chega da ansiedade dos relógios. Eu quero toda volúpia de quem não espera, de quem se surpreende e entra no jogo, mas consegue sair dele no café da manhã.
Jogos novos com os mesmos jogadores. Não quero sentar na mesa e ficar nela até sair com tudo ou nada.
Quero deixar pra amanhã, mesmo que ela nunca chegue. E vou chegando, devagarinho, sem me entregar, a não ser entre chão e teto, de espelho e não de vidro, onde a gente entrega o RG na entrada e se identifica dentro do quarto.
Identidades falsas, e não caras metades. Não quero pseudo paixões de colegial, mas sacanagem pura. Me sacaneia.

Terça-feira, Novembro 09, 2010

Não me leia

Minhas páginas estão em branco.
Não me preencha a lápis, muitos tem borracha.
Não me marque com tinta, meu papel é grosso e não mancha a página seguinte.
Não me interprete.
Não sou fruto da sua mente doentia.

Terça-feira, Agosto 24, 2010

Minhas

Eram duas, as vezes três, e uma quarta que não queria nada comigo.
Eram minhas, e de ninguém, e eu sempre acabava comigo.